sexta-feira, 3 de novembro de 2017






FERNANDO CABRITA




Fernando Cabrita foi jogador de futebol durante as décadas de 1940 e 1950, começando a sua carreira no Olhanense, clube que então se encontrava na primeira divisão. Cabrita integrou o plantel em 1942 e aí permaneceu até 1951.

O contributo de Fernando Cabrita para a sua equipa foi excepcional, com o Olhanense a atingir lugares respeitáveis na classificação. Atacante, é recordado como um jogador "de ouro" da equipa de Olhão.

Um dos seus jogos mais memoráveis ocorreu a 1 de julho de 1945 em Lisboa, quando disputou a final da Taça de Portugal contra o Sporting, a qual perdeu por 1-0.

Pouco antes da final da taça, no mesmo ano, Cabrita foi convocado para a seleção portuguesa pela primeira vez, para a partida contra Espanha disputada a 11 de março de 1945. O jogo terminou com um empate a 2-2.

Fernando Cabrita foi o autor de um golo na seleção, marcado durante o seu segundo jogo internacional, disputado contra Espanha a 2 de abril de 1950, cinco anos depois de ter sido convocado pela última vez. Este jogo, decorrido em Madrid, terminou com uma derrota por 5-1 para Portugal, tendo feito parte das Eliminatórias do Campeonato Mundial de Futebol de 1950.



A sua última participação na selecção nacional deu-se durante um jogo amigável contra o Brasil, em São Paulo, que terminou com a derrota de Portugal por 3-0. Somou ao todo sete internacionalizações, marcando um golo pela equipa nacional.

Após a despromoção do Olhanense no fim da temporada 1950/1951, Cabrita tentou a sua sorte em França, no Angers, clube onde jogou na segunda divisão francesa, e onde permaneceu dois anos.

Depois de jogar em França, o jogador regressou a Portugal, onde integrou a equipa do Sporting Covilhã, que jogava na primeira divisão.



Um ano após a sua chegada à equipa, Cabrita tornou-se, em simultâneo com a sua carreira de jogador, treinador de um clube pequeno perto da Covilhã, o Unhais da Serra, que jogava na divisão regional de Castelo Branco (AF Castelo Branco).

Durante a sua carreira no Sporting da Covilhã, o jogador viu o seu clube ser despromovido para a II Divisão - Zona Norte. Durante a temporada 1957/1958, a sua penúltima como jogador, a equipa atingiu o segundo lugar da classificação e foi novamente promovido para o principal escalão do campeonato português. A equipa terminaria a época na oitava posição.

Foi em 1956 que sua carreira como treinador começou, primeiro com o Unhais da Serra. Apesar de ser a primeira vez que o clube poderia ser promovido para a III Divisão, a equipa acabaria, no entanto, por ser despromovida.

Na época 1959/1960, Cabrita foi treinador do Portimonense, clube da 2ª divisão. Na época seguinte, juntou-se às reservas do Sport Lisboa e Benfica, onde permaneceu como adjunto e orientador das camadas jovens até à sua ascensão como treinador principal na época de 67/68, entre a saída de Fernando Riera e o regresso de Otto Glória. A aposta foi bem sucedida: o clube foi campeão nesse ano e ainda conquistou a Taça da Honra.



Mais tarde, o treinador juntou-se ao União de Tomar, após ter sido despromovido. Em 1970, a equipa terminou na segunda posição regressando para o principal escalão do futebol português.

Após esta passagem pela cidade dos Templários, o treinador foi chamado de novo para o Benfica durante a temporada 1973/1974, tendo conquistado apenas a Taça de Honra. Cabrita permaneceu no clube como adjunto até 77/78, altura em que regressou ao comando de um clube da segunda divisão, desta vez o Beira Mar, com o qual terminou o campeonato em primeiro lugar.

O Rio Ave chamá-lo-ia também para treinar a equipa entre 1980 e 1981. Na temporada seguinte, Cabrita foi treinador do Académico de Viseu.

Tendo já demonstrado talento e domínio da táctica como treinador, Cabrita foi escolhido como seleccionador nacional de Portugal em 1983. Foi sob a sua orientação que a Selecção Nacional chegou à fase final do Euro 1984 que decorreu em França. A participação de Portugal foi memorável, com embates contra a Alemanha (0-0) Espanha (1-1), Roménia (1-0), que permitiram à equipa chegar à meia final, onde encontrou a França. O jogo foi disputado a 23 de junho de 1984 em Marselha. A equipa esteve perto da final, conseguindo dar a volta a um resultado negativo já no prolongamento. No entanto, os portugueses cederam à pressão e acabaram por perder por 3-2 já no fim do encontro, graças a golos de Domergue e Platini.


A 24 de Agosto de 1985, Fernando Cabrita foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.[1]

Após a eliminação no Europeu, Fernando Cabrita passou a orientar a equipa de Penafiel, mas não conseguiu evitar que o seu clube acabasse despromovido para a 2ª divisão.

Em 1986/1987, assumiu o comando da equipa do Estrela da Amadora, que jogava na segunda divisão, e terminou em segundo lugar.

No ano seguinte, Fernando decidiu tentar um novo desafio, e deslocou-se para Marrocos para treinar o Raja Casablanca para a temporada 1987/1988. Foi o primeiro treinador estrangeiro do clube, conseguindo o feito de atingir o título de campeão pela primeira vez na história da equipa.

Depois do título conquistado em Marrocos, regressou à primeira divisão portuguesa durante a temporada 1988/1989 para treinar o Académico Viseu, que recorreu a Cabrita para ajudar a salvar o clube da despromoção. Porém, a aposta não foi bem sucedida e o clube terminou em 20° lugar, o último na Liga.

Em 1990/1991, Cabrita fez uma nova passagem por Marrocos, regressando ao Raja Casablanca, onde desta vez não conquistou quaisquer títulos.

Em 1991/1992, a sua última temporada como treinador, Fernando Cabrita decidiu ficar próximo da sua família e do Algarve, onde nasceu, para ser treinador do Esperança de Lagos.

Fernando Cabrita faleceu a 22 de Setembro de 2014, em Loures, com 91 anos.








ELEK SCHWARTZ






Foi na sua terra natal, a Hungria, que Elek Schwartz iniciou a ligação ao futebol, ainda como jogador, no Temesvar. Jogou depois na vizinha Roménia, no Ripensia, acabando por se naturalizar romeno, a carreira como técnico iniciou-se em 1943, e passou pelo Draguignan, Mónaco e Le Havre, tendo posteriormente treinado clubes na Alemanha.

Seguiram-se 7 épocas como técnico da Federação Holandesa e, finalmente, surgiu o convite para treinar o Glorioso.

O contrato foi assinado a 28 de Maio de 1964, pelo que conseguiu chegar a Portugal para ver o Benfica esmagar completamente o porto na final da Taça de Portugal, ganhando por 6-2.




Para além conquistar mais um tricampeonato para o Benfica, conseguiu alguns resultados notáveis no clube, levando o Benfica a mais uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Estreou-se como técnico do Benfica num jogo em casa a 22 de Agosto de 1964, com o Atlético Bilbau.

Em relação aos titulares da época anterior, Elek Schwartz fez algumas alterações, mesmo tácticas, que foram decisivas para as prestações ao longo da época. Manteve a estrutura defensiva, com Costa Pereira na baliza, Cavém a defesa direito e Cruz a defesa esquerdo, mas teve a ousadia de ser o primeiro Treinador do Benfica a utilizar com regularidade, sistematicamente e em simultâneo, 2 defesas centrais de raiz, Germano e Raul. O meio Campo foi ocupado por Coluna,  à esquerda pelo único reforço da temporada, Péridis, a dividir a titularidade com Neto, à direita.

No ataque alinharam os 4 habituais titulares, desde a saída de José Águas.. José Augusto, Torres, Eusébio, e Simões!




A táctica pareceu dar os seus frutos, já que o Benfica fez uma época excelente, obtendo Goleadas e Vitórias retumbantes. Por terras lusas, o clube encarnado sagrou-se Campeão Nacional a 3 Jornadas do final do campeonato, alcançando o seu segundo Tricampeonato Nacional.

Na caminhada Europeia, na Taças dos Clubes Campeões Europeus, o clube encarnado também teve muitas alegrias, venceu o Real Madrid por 5-1, eliminando-o da competição nos quartos de final. Nas meias finais, a 5 de Maio de 1965, o Benfica venceu os Hungaros do Raba Eto Gyor por 4-0, conseguindo assim o apuramento para a final.




Foram de festa os dias em que os adeptos encarnados aguardaram pelo dia da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, um jogo a ser disputado com o Inter de Milão, no estádio de San Siro. Mas este não seria um dia de sorte para os adeptos encarnados, tendo em conta que o Benfica perdeu por 0-1, fruto de um incrivel tento marcado pelos italianos a Costa Pereira.

Todo o ambiente criado pelos adeptos e pela imprensa em torno de Elek Schwartz, levou-o a pedir para não continuar uma nova temporada à frente do futebol benfiquista, antecipando-se à resolução da Direcção que iria no mesmo sentido.




Elek Schwartz além de ser um estudioso do futebol e " dos modernos sistemas de tácticas e treinos" era também um excelente profissional, era o primeiro a chegar de manhã ao Estádio e o último a sair, dirigindo-se a sua casa para estudar os seus apontamentos e preparar o trabalho do dia seguinte. Não precisava de manter a disciplina com castigos nem atitudes rispidas, algo que agradava bastante aos jogadores, mas estava sempre atento aos mais ínfimos pormenores.







Lajos Czeiler




Foi treinador do Benfica durante uma época apenas (1963/64), mas deixou uma imagem positiva e... resultados. Ganhou tudo o que havia para ganhar a nível nacional, o campeonato com seis pontos de vantagem sobre o FC Porto, ficando o Sporting e o V. Guimarães em igualdade pontual no 3º lugar, e a Taça de Portugal. Só averbou uma derrota ao longo de todo o campeonato, justamente frente ao Sporting, em Alvalade (1-3).


O Benfica marcou 103 golos no campeonato (28 dos quais por Eusébio e 23 por Torres, os dois melhores marcadores da prova), o que traduz a filosofia de jogo de Lajos Czeizler, técnico que gostava de imprimir uma toada de grande poder ofensivo. Aliás, o percurso da equipa na Taça confirma essa vocação, com inúmeras goleadas: 6-0 e 6-1 ao Luso do Barreiro; 8-1 e 9-0 ao Vianense; 1-1 e 3-1 ao Salgueiros; 8-1 e 3-1 ao Lusitano de Évora; 3-1 e 3-0 ao Belenenses; e, na final, 6-2 ao FC Porto, com golos de José Augusto (2), Eusébio, Simões, Serafim e Torres.



O GOLO E O FUTEBOL ESPECTÁCULO


"A minha concepção de jogo foi sempre orientada em função do golo. Só pode haver espectáculo com futebol de ataque" - afirmoLajos Czeizler algum tempo depois de chegar ao Benfica. Não foi preciso esperar muito para confirmar as suas palavras. Em 1963/64 o Benfica foi uma equipa demolidora em termos de caudal ofensivo. Lajos Czeizler era húngaro, tal como Janos Biri, Bela Guttmann e Lajos Baroti, que brilharam no Benfica.